
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Mulher de Faces

Vem, vamos embora! Que esperar não é saber – XI FACE

quarta-feira, 28 de julho de 2010
Desfile das delegações e das bandeiras - Abertura do XI FACE


terça-feira, 27 de julho de 2010
Pessoas ou coisas podem mudar o mundo, mas hoje nada aconteceu

Prêmio de Melhor Espetáculo Alternativo, Melhor Atriz (Ana Reis) e indicação para melhor Trilha Sonora, todos na fase nacional do XI FACE, o espetáculo Pessoas ou coisas podem mudar o mundo, mas hoje nada aconteceu vai navegar o imaginário dos espectadores por um bom tempo.
A história central poderia ser simples: um pai que abandona a mulher e uma filha ainda criança e, arrependido volta em busca de perdão. O estereótipo da família desestruturada dos tempos modernos é presente, mas teatralizada de forma apaixonante. A história central poderia ser simples...
Uma mãe completamente louca por organização, uma filha cheia de vontades e de personalidade forte, um pai volúvel e fracassado, e um quarto personagem - talvez o tempo ou a esperança, talvez nada disso ou ambos concomitantemente – conduzem a história. A desordem cronológica das cenas, a intensidade do trabalho de corpo (as repetidas quedas e autoflagelo da menina incomodaram a platéia, porém esta não as recebeu como violência, mas como caprichos pueris), a trilha composta de ruídos profundos que nos deixam a ponto de bala, tensos, ..., constroem um espetáculo envolvente e motivador.
- Essa história é minha!
Quaisquer dos espectadores poderiam, facilmente, se juntar à menina que afirma a posse da história. Qualquer um está fadado a sentir na pela o crash da estrutura familiar e se refugiar em lembranças dos tempos de outrora onde tudo era risos e afagos. “- Eu quero a minha lhama!”.
A lhama não era apenas “um camelo sem corcova que cuspia”. Era o pedaço do pai que ainda restava nela, a imagem da felicidade que ela desconhecia desde que ele partira. Ela não queria a lhama pura e simplesmente, queria que o encontro com esta a levasse ao pai. Ela tentava, mas hoje nada mudou.
Sem dúvida o melhor espetáculo em espaço alternativo do XI FACE, com um elenco bem ensaiado (ressalva para Sammer, ator que interpreta o pai, que quase é engolido pelos colegas de cena) e bem consciente corporalmente; não é difícil prever que no II PROFESTeatro que acontecerá em Congonhas-MG de 13 a 15 de agosto, assistiremos exatamente ao mesmo espetáculo, quase que milimetricamente coreografado.
Parabéns à trupe. Ver-nos-emos no solo dos Profetas de Aleijadinho.
XI FACE - Debate "Tudo a Fazer"
A realidade do teatro no interior de Minas Gerais é semelhante em todas as regiões aquém da região metropolitana de Belo Horizonte. Enfrentamos basicamente os mesmos problemas e dificuldades.
Eu também tive posse da palavra para descrever a realidade de Frei Inocêncio - cidade natal do Grupo Arte Fino - e transcrevendo, aqui, minha fala, penso estar resumindo todo o assunto debatido nesta reunião, tal a semelhança dos argumentos.
O Arte Fino nasceu em 2001 como um grupo de teatro escolar. Feito por alunos dentro das dependências da escola local. Recebiam orietação de um diretor mais experiente e montavam espetáculos na medida em que aperfeiçoavam suas habilidades artístico-teatrais.
Nos encontrávamos todos os finais de semana para ensaiar e aprender coisas novas (eu contava com 11 anos na época e já esboçava muita precossidade, principalmente em habilidades como dramaturgia e direção, fora a paixão pela interpretação). Mas éramos adolescentes (54 ao todo) e não possuíamos nenhuma obrigação que não fosse estudar.
Neste ponto começam grande parte dos problemas enfrentados por muitas cidades do interior mineiro: a formação de artistas que consideram o teatro um hobbie. Quando estes artistas, geralmente jovens, começam a crescer e a obter maiores responsabilidades o teatro será, lamentavelmente, uma das primeiras atividades e serem abdicadas (tal como acontece quando da necessidade de corte de custos no poder público. Vetar o apoio à cultura é a primeira ação para salvaguardar a saúde da economia). Tudo é motivo para abandonar o teatro: o fim do ensino médio; ingresso na faculdade; primeiro emprego; namoro... entre outros.
Onde estão aqueles que têm paixão pelo que fazem? Aqueles que aceitam os sacrifícios para manter contato com a arte? Onde estão aqueles que, como eu, acabaram o ensino médio, começaram a trabalhar, cursam a faculdade e ainda fazem teatro em duas cidades diferentes por é isso o que amam? Onde?
Estão por aí! Basta que os diretores saibam identificá-los. Geraldo Lafaiete - coordenador do FACE - frisou bastante a importância de selecionarmos melhor as pessoas que fazem teatro em nossos grupos, de sabermos quais "simplesmente fazem" e quais "absolutamente precisam" fazer teatro.
A indisciplina, a alta rotatividade e a dependência do diretor são características que assolam os grupos do interior. Tal quadro não será revertido enquanto os diretos não se propuserem a capacitar artistas visando sua autonomia. Não é dar o peixe, é ensinar a pescar.
Quando Fabio Sena não estiver mais à frente do Cenarte, este sobreviverá? Quando Geraldo Lafaiete não mais atuar na esfera teatral, a Casa do Teatro e os outros grupos sob sua direção andarão com as próprias pernas? A Trupe Teatral Pitaco, o Karicatura Teatral e o próprio Asa do Invento resistirá à ausência de Nazza Amaral? ...
O teatro mineiro (e eu estou incluído) esperamos que sim! Então que tenhamos mais cuidado com o tipo de formação que damos aos nossos jovens colegas de profissão. Para não nos encontrarmos na mesma situação deste grupo Arte Fino que, prestes a completar 10 anos de vida possui apenas 01 integrante (Maicon Martins), mas que não deixará de lutar pois sabe que sempre haverá alguém querendo ajudar de algum modo.
Realmente, estamos com "TUDO A FAZER"!
domingo, 18 de julho de 2010
Vaca Louca - a reconstituição de um crime

Os créditos do espetáculo se estendem a outros artistas que aceitaram de bom grado participar da concretização deste trabalho: Bruno Pimenta (que assina a iluminação, ao centro na imagem abaixo), Aline Torres (maquiagem e auxílio na sonoplastia, à direita na imagem abaixo) e Tiago Henrique dando suporte em cena e na operacionalizalição do espetáculo. Obrigado a vocês.

Artistas valadarenses brilham como jurados no XI FACE

- Arte Fino (Vaca Louca - a reconstituição de um crime)
- Atrás do Palco (Chapéu de chuva da saudade)
- Asas do Invento (Mulher de Faces)
- Trupe Teatral Pitaco (Saltimbancos)
- Reflexus (Difícil vida fácil)
- Babacobaco Produções (Elas são do Balacubaco)
Mas, antes de começar a etapa nacional, dois artistas valadarenses já brilham na etapa regional, como jurados.
Aline Torres (Cia de Artes Atrás do Palco, à direita na imagem) e Arthur Diniz (Trupe Teatral Pitaco, ao centro) foram convidados a assumir o difícil papel de julgar os espetáculos regionais. Aceitaram a responsabilidade, não apenas de dar nota nas diversas categorias, mas de ajudar aos membros das companhias julgadas a perceber a situação atual das montagens. Opiniões são sempre bem-vindas e quando proferidas por pessoas que detêm o conhecimento técnico necessário para ter credibilidade as coisas ficam ainda melhores.
Não cabe aos jurados determinar o que é certo ou errado, o que é bom ou ruim... estes paradoxos não existem no fazer teatral. Cabe ao jurado a iniciativa de quantificar e denominar as escolhas cênicas (de direção, maquiagem, figurino, trilha sonora, etc.) mais engrandeceram a montagem como um todo; premiar as escolhas que mais "deram certo" e ajudar aos demais direcionando-os aos pontos que mais necessitam de atenção.
Parabéns aos nossos conterrâneos que, mesmo com pouca idade (o que não limita a qualidade crítica que possuem, e a que recorrerão na análise de cada espetáculo) fazem jus ao nome da cidade de Governador Valadares.
Ver-nos-emos na etapa nacional.
Evoé Baco.
domingo, 4 de julho de 2010
inFORMAÇÃO - formAÇÃO - AÇÃO

A Cultura ocupa uma posição entre os 24 MINISTÉRIOS do nosso poder executivo, em 2006 o IBGE junto ao MINC já constataram a existência de 320 mil empresas culturais no Brasil que geram 1,6 milhão de empregos formais, 4% dos postos de trabalho brasileiros. Por que continuamos a receber 0,2% dos 500 a 600 bilhões de reais destinados ao Poder Executivo?

É tudo um mar de cruéis verdades. Uma das causas para esta tão grande discrepância pode se dar ao fato de que quem administra a cultura, hoje e na grande maioria das vezes, são os próprios artistas, que nem sempre, ou quase nunca buscam embasamento teórico para o ato de se organizar e/ou se mobilizar para determinado fim.
O MORTO VIVO

Uma comédia familiar por deveras atraente devido à natureza sutil de mostrar o cotidiano. Chafurdamo-nos na rotina a tal ponto que nossas existências dependem de protocolarmos até mesmo as tarefas mais exíguas do devir, do vir a ser parmenidiano. Não temos segurança naquilo o que é nosso se tudo o que nos cerca - objetos, bens, memórias, pessoas... - não nos vier com a posse comprovada através de documentos e papéis, que, infelizmente, valem mais que nossa palavra.
Heitor Ferreira (Jean Carlos), personagem principal da trama, não vivia! O contato carnal com sua esposa, os trejeitos puerís e a carência afetiva não diziam nada ante os persuasivos documentos apresentados à sua esposa pelo Secretário do Setor de Sinistro da Marinha.
- Seu marido está morto! Tenho este documento que assegura sua morte.
A burocracia é tão forte quanto nossa servidão e dependência dela. Quem somos hoje em dia? Existimos fora os números de nosso RG e CPF? Os padrões alfa-numéricos, que, em tese, deveriam nos trazer equivalência ante as esferas do poder público, seja municipal, estadual ou federal apenas nos condenam a abrir mão do bem mais precioso que recebemos: o livre arbítrio. Heitor não tinha escolha quanto ao seu destino, estava morto e apenas ressuscitaria se a burocracia que dantes o matou assim o desejasse.
Cenas rápidas, texto inteligente e afiado, piadas provocantes nada previsíveis, cenário suntuoso que reproduzia fielmente uma sala da classe média alta, desde o piso de taco aos quadros de Leonardo da Vinci; trilha sonora (que transitava dos Beatles à música unchained melody, eternizada como tema do filme Ghost de Jerry Zucker) e figurinos que abrilhantavam a estética que vinha da produção (nota-se pela qualidade do folder disponibilizado, contendo desde a discriminação dos personagens à trajetória da companhia, passando pela sinopse) que denota um amadurecimento profissional na produção artística local.
Peço atenção ao trabalho com os atores coadjuvantes. O rigor técnico da interpretação destes estava inversamente proporcional aos dos atores protagonistas. Salvaguardo o comentário à atriz Gislene Martins cujas falhas e insegurança é perfeitamente justificável pela tempestividade com que recebeu o papel. Abro parentese para a fatalidade que ocorreu com a atriz Ana Márcia que faria a personagem Glória Ferreira (protagonista, esposa de Heitor) e, no dia da estreia perdeu o pai.
Nossas condolências.
Luto real por falso luto teatral fica este trágico episódio como experiência para a companhia caracterizada por seus elencos numerosos e por suas plateias lotadas a sempre dispor de atores/atrizes no posto de coringa.
No mais, Parabéns pelo espetáculo! e esperamos ansiosos pela nova empreitada com o lendário personagem Ed Mort criado por Luis Fernando Veríssimo como paródia das histórias norte-americanas de detetives. Nos dias 25 e 26 de setembro a companhia volta com o espetáculo: Ed Mort: conexão nazista.
Não perderemos por esperar.
Pão com Salame e Refrigerante

quinta-feira, 1 de julho de 2010
Aberto Edital para Ponto de Cultura

Esse edital tem por objetivo apoiar por meio de repasse de recursos financeiros do Programa Mais Cultura - Pontos de Cultura para a concretização de projetos de fomento e formação artístico-cultural da sociedade, principalmente aquele em situação de vulnerabilidade social.
Podem participar quaisquer instituições da sociedade civil sem fins lucrativos e de caráter cultural (que conste no estatuto da entidade). Podem concorrer: Associações, Sindicatos, Cooperativas, Grupos de teatros e etc. É necessária a comprovação de, pelo menos, dois anos de atuação no município. Toda a documentação deverá estar em dia. O edital pode ser "baixado" no site da prefeitura municipal: http://www.valadares.mg.gov.br/.
Aos interessados será oderecido um cursinho preparatório sobre o edital, que acontecerá no 3º andar da Secretaria de Municipal de Cultura, Esporte e Lazer - SMCEL, nas seguintes datas e horários:
Dia 01º de julho (quinta-feira) - das 18h00 às 21h00.
Dia 02 de julho (sexta-feira) - das 18h00 às 21h00.
Dia 03 de julho (sábado) - das 08h30 às 12h00 e 13h30 às 18h00.
Dia 04 de julho (domingo) - das 08h30 ás 12h00.
Serão 05 projetos aprovados focando na diversidade cultural existente no município. Dipostos, geograficamente, segundo o mapa abaixo:
