
O Teatro Atiaia recebeu, neste fim de semana, o espetáculo comédia "Elas são do Balacubaco" do grupo Balacubaco Produções.
O espetáculo conta a trajetória de duas personagens: Bia e Suelen Cristina em três momentos marcantes na vidade de qualquer ser humano (infância, adolescência e velhice). Neste enredo o universo feminino é abordado sempre de maneira cômica e descontraída.
Ponto positivo para a maneira como os atores: Douglas Leite e Leonardo Brambilha movimentam a troca de personagem. Entrar em cena "de cara limpa" e vestir, literalmente, o personagem afasta da platéia a ideia de dois homens de travestindo no palco (ideia esta quase que enraizada no subconsciente valadarense devido às recentes manifestações de "grupos" que o fazem), e aproximam a platéia do que acontece: dois atores interpretando personagens femininas.
A disposição dos adereços no palco deu-se de forma simples e sem exageros, seguindo a tendência do teatro essencial, fortemente difundido por célebres diretores como Denise Stoklos. Sem excessos nos adereços e figurinos, a trilha sonora deixou a desejar em alguns momentos.
A passagem de tempo e a troca de personagens dava-se ao som de "And all that jazz", com letra e música de Fred Ebb e John Kander respectivamente (consagrada pela versão cinametográfica do musical Chigado), e, numa visão geral destoou levemente a mensagem de duas mulheres brasileiras em suas fases de maturação. Não que a música seja inadequada, mas não foi a melhor escolha.
Outro ponto a se observar é a cena que descreve a adolescência das personagens que ocorre durante uma edição do GV folia. No teatro tudo pode! E não devemos nos ater à verdade, mas, sempre, à verossimilhança. Digo isto por ter sido citado, na peça, a presença do cantor Tomate no GV Folia deste ano (visto pelo abadá do dia de domingo), uma vez que este cantor, por motivos de incompatibilidade de cachets não compareceu nesta edição do mais famoso carnaval fora de época do interior mineiro. Detalhes à parte, a música muito alta nesta cena atrapalhou o desenrolar do texto, sobrepondo-se a algumas das "falas". E qualquer semelhança com o espetáculo Cócegas, trata-se por mera coincidência.
Em contrapartida, a terceira e ultima cena veio reaver o ritmo e a deliciosa comédia do espetáculo. A atuação de Douglas Leite como uma senhora da terceira idade foi encantadora, apoiado, a altura, pela sempre segura atuação de Leonardo Brambilha. Um show a parte esta cena. Não seria de se admirar que desta cena surgisse um maravilho espetáculo também de comédia. Só peço atenção ao São Pedro (personagem que aparece apenas por sua voz), pois, como foi citado, em cena, por Léo Brambilha: "Amador demais!". Nada que não se resolva com árduas sessões de ensaio.
Aplausos em pé para o texto lido no final do espetáculo. Moderno, modesto e hilariante!
Analisados os acertos e desacertos, um bom espetáculo! Engraçado e refrescante.
Fica a dica: De olhos bem abertos para os próximos trabalhos do Balacubaco Produções, que deve vir com o texto "As viuvinhas" ainda no mês de Agosto/2010. Vide arte abaixo: