domingo, 29 de agosto de 2010

Ações performáticas número 12


Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja, ainda existe gente que brinca... (Eduardo Galeano)

Galeano escreveu que vez ou outra ainda é possível ver homens e mulheres destituídas dos implacáveis padrões sociais de boa conduta; como se quaisquer alterações das triviais ações de andar, cumprimentar e despedir, - por mais ingênuas que fossem -, não passavam de desregramentos e/ou deturpação da ordem.

Artista é bicho solto e desavergonhado. Não no sentido pejorativo com que os mais puritanos se referem àqueles se cantam em público, ensaiam suas peças de teatro em pleno domingo de manhã na porta da secretaria municipal de cultura, ou mesmo os que dançam no meio da rotatória do centro da cidade em horário de pico, sem se preocupar com o que pensarão da cena, se aprovarão, se acharão loucura; não nesse sentido. Artista é bicho solto em um sentido maior. Suas manifestações inesperadas, ou, suas performances, como gostam de chamar, são conscientes e controladas.

Não estava cometendo vandalismo ao dançar performar com Jéssica Rocha nas ruas de Congonhas-MG, nem, tampouco, queríamos chamar a atenção de ninguém. Mas a cidade continuava e estávamos fugindo à regra por dançar na rotatória. Só porque não havia nem caixa de som tocando música clássica, nem platéia, nem motivo para dançar jamais nós abortaríamos nossa súbita vontade de... dançar!


Há corpos que necessitam dançar.

Uns perguntam:

- Por quê?

- Por que não? - Responderemos sempre!

Ao final da inusitada cena, recompomo-nos e fomos embora, sem agradecer às duas senhoras que aplaudiam. Não nos estávamos apresentando para elas. Mas confesso que sorrimos ao ouvi-las.

O II PROFESTeatro acabou, Jéssica Rocha voltou para Barbacena, eu regressei a Governador Valadares, e ainda performamos, à nossa maneira, com novos parceiros e sempre e tanto...

Há corpos que se recusam [limitar].



Nenhum comentário:

Postar um comentário